UFSJ desenvolve tecnologia para transformar óleo lubrificante usado em produtos de alto valor<br />

Publicada em 20/08/2026

Pesquisadores da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) desenvolveram uma tecnologia para o rerrefino de óleos lubrificantes usados ou contaminados (OLUC), transformando o resíduo em óleos básicos de maior valor agregado. O processo já alcançou o TRL 7 (Technology Readiness Level 7), estágio que indica a demonstração da tecnologia em ambiente operacional relevante, e apresenta potencial de aplicação industrial.


A tecnologia permite a obtenção de óleo básico do Grupo III (G3), além de frações do Grupo II (G2), utilizadas na formulação de lubrificantes modernos. Um dos principais diferenciais do processo é a ausência de ácido sulfúrico, o que elimina etapas de neutralização e reduz o uso de insumos, energia e tratamentos térmicos intensivos, além da geração de resíduos químicos e dos custos associados ao processo.


A inovação também prevê o aproveitamento da borra gerada durante o tratamento. O resíduo possui potencial de valorização energética e pode ser utilizado como combustível para geração de energia térmica na própria planta. Dessa forma, a proposta combina a recuperação do óleo usado com o aproveitamento energético de parte dos resíduos.
Para o professor Fabiano Luiz Naves, coordenador do projeto, o desenvolvimento demonstra o potencial da universidade pública para gerar soluções tecnológicas com aplicação industrial e impacto estratégico. “Trata-se de um importante avanço tecnológico para a UFSJ e evidencia o potencial da universidade pública para gerar tecnologias com aplicação industrial concreta e impacto estratégico para o país. É uma proposta que reúne inovação, sustentabilidade, economia circular e potencial de aplicação em escala industrial.”


Da pesquisa à aplicação industrial


O estágio TRL 7 indica que a tecnologia já ultrapassou as etapas iniciais de laboratório e avança em direção à aplicação industrial. O desenvolvimento também despertou o interesse de empresas, incluindo multinacionais, que avaliam possibilidades de aquisição ou licenciamento da patente, transferência tecnológica e utilização industrial do processo.


O pedido de patente foi submetido ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), e a equipe segue trabalhando na validação e otimização dos parâmetros operacionais.


O projeto é coordenado pelo professor Fabiano Luiz Naves, do Departamento de Engenharia Química da UFSJ, e tem como subcoordenador o professor Vagner Knupp, do Departamento de Química, Biotecnologia e Engenharia de Bioprocessos (DQBio). Também participam da pesquisa Tarsis Prado e Rafael Mafra.


A pesquisa deu origem à CEBR Inovações Tecnológicas, empresa voltada ao desenvolvimento, prototipação e consultoria em engenharia. Atualmente, a empresa está incubada na Incubadora de Desenvolvimento Tecnológico (INDETEC) e tem como sócios-administradores os alunos do Programa de Mestrado em Engenharia Química da UFSJ, Bruno Carvalho e Eduardo Moreira. O próximo passo é avançar na validação e na transferência da tecnologia para aplicação em escala industrial.