"As atividades de telessaúde têm sido fundamentais na prática profissional, na extensão e na pesquisa"
Publicada em 10/12/2025
A Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas entregou, a representantes da UFSJ, ligados à Rede de Teleassistência do Estado (RTMG), moção de congratulação pela relevância do trabalho desenvolvido na prestação de serviços de telediagnóstico e teleducação por meio do uso de ferramentas das tecnologias de informação e comunicação, como internet, para serviços de saúde, principalmente nas Unidades de Atenção Primária.
A audiência, em 19 de novembro, foi solicitada pela deputada Lohanna França, que ressaltou o fato de a Rede, a maior de teleassistência no mundo, compromissada com a inovação e a inclusão no atendimento médico, reduziu filas de espera para exames essenciais, caso dos mutirões cardiológicos em Divinópolis, além de promover diagnósticos precoces e implementar a estratificação de risco para populações carentes.
Criada em 2005, resultado de parceria entre sete universidades públicas – UFMG, UFU, UFTM, UFJF, UFSJ, UFVJM e Unimontes –, a RTMG conecta, virtualmente, especialistas de hospitais universitários a profissionais de saúde, que participam de atividades de telediagnóstico, teleconsultorias e sistemas de apoio a decisões clínicas. O programa de telessaúde está implantado em 818 municípios mineiros, em pontos da atenção primária, da atenção secundária e urgência. Atualmente, o serviço de eletrocardiograma (ECG) é disponibilizado 24 horas por dia, sete dias por semana.
Na UFSJ, a coordenadora do polo universitário na Rede é a professora Clareci Cardoso, do curso de Medicina do Campus Centro-Oeste Dona Lindu (CCO), que destaca a solidez do projeto: por solicitação do Ministério da Saúde, a rede de telessaúde expandiu os ECGs para outros 13 estados brasileiros, realizando mais de 12 milhões de eletrocardiogramas, com laudos, uma média diária de nove mil exames.
A RTMG/UFSJ é hoje responsável pela implantação e monitoramento do sistema em 228 municípios geograficamente próximos à Universidade, com prioridade para os de menor porte populacional e menor estrutura em saúde. Antes da Rede, os exames de ECG em Divinópolis eram feitos por serviços privados ou consórcios contratados, com ampla burocracia, longos trechos de deslocamento dos pacientes e longa fila de espera, tanto no agendamento quanto na espera pelo laudo. Com a implantação do Tele-ECG em 2019, em 24 unidades da atenção primária e uma na policlínica municipal, a realidade é outra: o exame é agendado pela equipe de saúde da UBS solicitante e o paciente é direcionado ao local mais próximo de sua residência. No mesmo dia, ou até em minutos, o laudo é encaminhado pela central da Rede diretamente para a Unidade Básica de Saúde (UBS) de origem. A equipe do Núcleo de Telessaúde da UFSJ monitora diariamente as atividades e presta assistência imediata em alguma dificuldade do serviço.
Os números falam por si: 1.251.659 eletrocardiogramas realizados; 19.754 teleconsultorias; 1.063 profissionais capacitados; 14.257 atendimentos de suporte técnico; 13.629 monitoramentos de ligações e mensagens; 227 treinamentos em municípios, com 35 novas implantações do sistema; 5 mutirões (ECG e ECO), com 4.167 pacientes atendidos; 700 alunos capacitados em telessaúde.
Mutirões de exames
O PROVAR+ (Programa de Rastreamento da Valvopatia Reumática e Outras Doenças Cardiovasculares) organiza mutirões de exames cardiológicos desde 2022, a fim de reduzir a fila de espera e desafogar o sistema quando a demanda é alta. Financiado pela Edwards Lifesciences Foundation e Children’s National Health System, de Washington DC (EUA), o projeto é coordenado pela UFMG em parceria com o Centro de Telessaúde da UFSJ.
A proposta é fazer o rastreamento ecocardiográfico simplificado nas UBS, com o objetivo de obter o diagnóstico precoce de doenças cardiovasculares e posterior encaminhamento, mais qualificado, à Atenção Secundária (Cardiologia). Essa atividade está integrada ao sistema de telessaúde do município, pelo Tele-ECG, em funcionamento desde 2021. Caso o rastreio indique a necessidade de uma avaliação mais aprofundada, o paciente é encaminhado para um ecocardiograma convencional, financiado pelo PROVAR+.
De setembro de 2021 a setembro de 2025, o Programa de Rastreamento fez 68.644 exames de ECG, dos quais 9.113 (14%) apresentaram alterações maiores. Foram 5.476 ecocardiogramas simplificados, 1.311 completos.
Impactos na formação
De acordo com a professora Clareci Cardoso, as atividades de telessaúde têm apresentado importante impacto para o sistema de saúde em todo o Estado e, de forma mais recente, para o Brasil. Na UFSJ, "têm sido fundamental no campo da prática profissional, em atividades de extensão e pesquisas." Nestas, a prestação de serviços à comunidade cumpre seu papel social e a pesquisa ganha visibilidade nacional e internacional. Na prática profissional, alunos e professores podem ter acesso, de forma imediata, ao dispositivo diagnóstico e ainda tirar dúvidas com especialistas presentes nas universidades.
Arte de Lívia Antoniazzi (ASCOM),
com fotos de Elizabete Guimarães (ALMG)